Creolina

     

30.4.05

 
Hmmm, não sei, não. Como já criaram o núcleo de direção da próxima novela das 8, não sei se América dura muito tempo. A Globo corta prejuízos pela raiz. E essa, agora, da Glória, de colocar Bruno Gagliasso flertando com Murilo Benício? Colocar em xeque a masculinidade do mocinho é um golpe às donas de casa (não a que nos visita, claro, antenada e moderna como ela só). É esperar pra ver no que dá...

Pelos menos às segundas dá pra substituir a novela por Lost, a melhor coisa que a TV tem mostrado ultimamente.


"Na minha casa...


... ou na sua?"
Colher de Sopa:

27.4.05

 
Estavam lá as crianças fantasiadas e dançantes bem ao estilo Criança Esperança. E Xuxa cantando "A vida é um doce, vida é mel, que escorre da boca..." com Ivete Sangalo foi plenamente dispensável. E o que dizer de Cláudia Raia fazendo acrobacias ao som da música-tema do Fantástico? Algo como tirar leite de pedra.
Mas o evento em comemoração aos 40 anos da poderosa Globo teve seus momentos engraçados. Ou ninguém viu a falta de sintonia musical entre Regina Duarte e Ivan Lins? Ou o medo de Francisco Cuoco de que a dentadura escorregasse da boca?
E teve também seus momentos emocionantes: imagens das crianças que viraram adultos trabalhando em novelas da Globo, a homenagem póstuma a quem fez história na emissora e a presença luminosa de pessoas exuberantes como Christiane Torloni (em ótima forma), Ana Paula Arósio e Lima Duarte.
Houve de tudo um pouco. Mas não tive paciência para ir até o final. Talvez porque alguns momentos convidavam ao sono. E Galvão Bueno, francamente, não dá para suportar além das quartas-feiras e domingos...

Colher de Sopa:

25.4.05

 
Tinha escrito um longo texto sobre meu encontro com Lygia Fagundes Telles. Nele falava de minha admiração pela escritora. São mais de 16 anos de encantamento.
Delicado, posso resumir assim o encontro. No hotel, fotografias, um autográfo, confidências, agradecimentos pelas flores levadas e a imitação divertida da escritora dos passos firmes e decididos de Gisele Bündchen. Tudo se perdeu numa expiração. Estava lindo o texto, e olhe que nem sou fã de meus escritos.
Fica para uma outra ocasião. Fiz a minha parte. Lygia odeia a modernidade tecnológica. Odeio computadores neste momento também.


"Lygia, eu te amo!!!!"
Colher de Sopa:

21.4.05

 
O bebê de Cidoca nasceu e, dizem, é cara dela. Mas não sei se isso é bom ou ruim.

***
Há tempos não ria tanto com uma novela. É verdade que há um certo exagero kitsh em algumas cenas de A Lua Me Disse, mas personagens como Latoya e Whitney, duas irmãs negras que correm como o diabo da cruz a qualquer barulho de trovão (por causa da escova, diga-se), e Gôndola (Thelma Reston), como uma mãe comilona, garantem certo riso. Agora, pobre da Bete Coelho que passa 90% das cenas aos beijos com Mário Cenoura Gomes. Ninguém é obrigado a ver aquilo a todo momento...

***

Joss deixou um post interessante no Estação Pequi. Ele fala que, para ciência, tudo é incerto. Se o cafezinho hoje faz bem, amanhã pode causar estragos. Sempre aprendi que beber muita água é saudável. Agora li que, em excesso, prejudica o organismo. Estão para ser descobertos os males da masturbação...
Colher de Sopa:

18.4.05

 
Está certo que os efeitos especiais são uma porcaria, o fiapo de história é inútil, e que o filho de Chuck causa arrepios involuntários de tão feio que é. Mas o filminho O Filho de Chuck tem lá sua graça. Vejam bem:
* As brincadeiras que Jennifer Tilly faz consigo mesma são hilárias. Ela interpreta uma atriz que já tem um Oscar na prateleira e nunca mais fez um filme que prestasse (em Tiros na Broadway, Tilly estava excepcional). Ela faz referência à sua parceira de cena em Ligadas pelo Desejo (filme subestimado dos irmãos Wachowski, de Matrix), afirmando que ainda tem uma amizade íntima com Gina (Gershow), com quem formava um casal lésbico no tal filme. A certa altura, ela diz que seria perfeita para o papel de Erin Brockovich, pelo menos não precisaria usar seios falsos. E sempre dá uma alfinetada em Julia Roberts. Só não sei se aquela voz irritante é dela mesmo ou mero mise en scene;
* As referências aos filmes trash são uma achado: Glen ou Glenda é título de filme do pior cineasta de todos os tempos: Ed Wood, e ainda serve de mote para a escolha do nome do tal filho (a) do casal mais feio e artificial (em todos os sentidos) do cinema;
* John Waters, que faz uma participação afetiva e especial como um paparazzi, é responsável por pérolas como Pink Flamingo, Mamãe É de Morte e Cry Baby;
* Na verdade, como algo muito pessoal, sempre me sinto nostálgico com a imagem de Chucky. Lembro-me das sessões animadas no Cine Riviera, em minha cidade. Esse foi um dos poucos filmes que passaram por lá, além de Igrejinha da Serra, claro;
* Por fim, a referência a Britney Spears em dois momentos é hilária. Numa cena uma sósia dela é atirada no precípicio com o carro em alta velocidade. Uma catarse, quase.

Por essas e outras é que, acredito, o trash não é de todo lixo.
Colher de Sopa:

15.4.05

 
U-hu!!! Sob nova direção, a gritaria e os choros vão ser amenizados em América (comemoração mais besta essa minha, sô). Ah, Eliane Giardini é fantástica!
Colher de Sopa:
 
Como Me Tornei Estúpido não é auto-ajuda. Ao contrário, ele mostra que a inteligência é um fardo. Diferentemente do alcoolismo, o indivíduo não pode se desintoxicar deste predicado. Por isso que, depois de tentar o vício pela bebida e o suicídio, o protagonista do livro, Antoine, descobre que a forma de se moldar e fazer parte da sociedade é ganhando muito dinheiro e colecionando um exército de itens de consumo fúteis e supérfluos. A certa altura, o autor, Martin Page, explica assim a origem dos males do mundo: "A inteligência é um erro da evolução. No tempo dos primeiros homens pré-históricos, posso imaginar perfeitamente bem, no seio de uma pequena tribo, todos os meninos correndo no mato, perseguindo os lagartos, colhendo bagas para o jantar; e pouco a pouco, em contato com adultos, aprendendo a ser homens e mulheres completos: caçadores, coletores, pescadores, curtidores... Mas, olhando mais atentamente a vida desta tribo, percebe-se que algumas crianças não participam das atividades de grupo: elas permanecem perto do fogo, protegidas no interior da caverna. Elas jamais saberiam se defender dos tigres-dentes-de-sabre, nem poderiam caçar; entregues a si mesmas, não sobreviveriam por uma noite. Se elas passam os dias sem fazer nada, tal não se dá por indolência, não, elas bem que gostariam de dar cambalhotas com os companheiros, mas não o podem. Ao pô-las no mundo, a natureza manquejou. Nesta tribo, há uma pequena cega, um rapaz coxo, um rapaz desajeitado e distraído... Assim, eles permanecem no acampamento o dia todo, e, como não têm nada para fazer e como os videogames ainda não tinham sido inventados, são obrigados a refletir e a deixar deambular os seus pensamentos. E passam o tempo a pensar, a imaginar histórias e invenções. Eis como nasceu a civilização: porque crianças com defeitos não tinham nada mais para fazer. Se a natureza não estropiasse ninguém, se o molde fosse sempre sem falha, a humanidade teria permanecido numa espécie de proto-humanidade, feliz, sem nenhum pensamento de progresso, vivendo muitíssimo bem sem Prozac, sem preservativos nem aparelho de DVD dolby digital". Simples mas polêmico assim...

***

Nos anos 80 utilizava meus óculos como desculpa para não participar das atividades masculinas, tipo jogar futebol ou me exercitar em treinos exaustivos do colégio. Não sei se me tornei menos estúpido por isso. Não sei, também, se não prefiro meus DVDs a ter que viver numa tribo sujeito à barriga d'água. Mas, de qualquer forma, a leitura de Como Me Tornei Estúpido é diversão garantida, com algumas passagens engraçadas e desde já memoráveis.
Colher de Sopa:

14.4.05

 
Alguém disse, não me lembro quem, que não gostaria do filme Os Sonhadores por ele tratar de incesto. Na verdade, nada neste sentido acontece, há uma sugestão apenas. O personagem de Michael Pitt, Matthew, surge justamente para impossibilitar a intenção (ou provocação?) do casal de irmãos, carentes como eles só. Eva Green é linda, despudoradamente ingênua. Os rapazes, à sua maneira, também são belos, elemento tão caro à filmografia de Bertolucci. As referências ao cinema são fantásticas, assim como o despertar dos jovens para o movimento político que se descortinava lá fora (a pedra que invade o apartamento). Alguém também me disse que Os Sonhadores é o contraponto exato de Os Educadores: uma espécie de embate entre aqueles que apenas sonham por um ideal, alienados realmente do "mundo, mundo", e aqueles que vão à luta por um ideal, invadidando casas, atemorizando a classe média e tudo mais. Não vi Os Educadores, mas meus leitores podem dizer se tem consistência a comparação. Embora, acredito, falar de idealismo hoje em dia seja muito demodê. Unfortunately.
Colher de Sopa:

13.4.05

 
Todo dia às 21 horas começa a gritaria. Aí não é difícil adivinhar, até quem raramente se posta diante da TV, que começou novela de Glória Perez. No núcleo suburbano, uma constante em seus folhetins, a autora sempre dá destaque a personagens gritalhonas. E não é diferente em América. A Globo devia dar de brinde um tampão de ouvido aos telespectadores para cada cena da Neuza Borges e da Regina Dourado. Nossos ouvidos agradeceriam imensamente.
Sobre a saída de Jayme Monjardim da direção da novela, até agora não sei se isso é propriamente bom ou ruim. De qualquer forma, é difícil simpatizar com mocinha que pretere o amor em nome do sonho de se empregar nos EUA. Isso distorce a narrativa convencional, tão apreciada pelo público brasileiro. Murilo Benício, portanto, vai ter que virar vilão por uns tempos.
Colher de Sopa:

10.4.05

 
Rendi-me ao Orkut. Mas estou mais perdido que a cantora Kátia em tiroteio. Como já havia um Ricardo Sena, me instalei na comunidade como Cacá Sena. Até agora não sei como funciona. Então é isso.
Colher de Sopa:
 
Frases da semana:

"E que diferença faz para o mundo uma vírgula separando um sujeito de um verbo?"
Paulo Coelho, escritor

"Eles sabiam antes de mim."
Daniela Cicarelli ironizando a onisciência da imprensa sobre sua gravidez
Colher de Sopa:

9.4.05

 
Toda minha infância saiu dos olhos azuis brilhantes de Rodney Lataria. É que, quando criança, parece que todos meus bichos de pelúcia tinham aqueles mesmos olhos feitos de não sei o que (acrílico? plástico?...). Ou adorava tentar arrancá-los, muito comum isso, ou olhava fixamente para eles, tentando decifrar sua composição transparente esverdeada, amarronzada ou azulada. A verdade é que gostei mais de Robôs por causa deste detalhe de produção. Os olhos do robô me transportaram magicamente de volta à infância. Me senti diminuto naquela poltrona gigantesca do Cine Buriti 4. Tomei chá com madeleines, por um instante, com Marcel Proust.


"Frank Sinatra? Não, não conheço..."
Colher de Sopa:

7.4.05

 
Carta ao meu aluno

Caro aluno de olhos azuis,
preferia você quando o conheci no ano passado: ingênuo, espontâneo, alegre. Um ano se passou entre aqueles primeiros dias de aula e hoje. Lembro-me de você perguntando as coisas, participando das aulas, preocupado com as notas em redação e, principalmente, sendo você mesmo. Ah, mas as bricadeiras quanto à sua sexualidade o aprisionaram, durante este tempo, numa redoma onde o que mais se respira é preconceito. Pensei que, sendo vítima do bullying, tomasse a defesa dos fracos ou ao menos tentasse se defender sem perder um pouco de si. Mas, ao contrário, preferiu juntar-se aos gozadores e, para isso, hoje ataca os gays (como forma mesmo de negar o óbvio), os negros, fala mal do aborto, da eutánásia, da vida, sem concessões à generosidade.
É incrível como fatos alheios moldaram drasticamente sua personalidade. Esta que agora se acha enquadrada e reprimida em nome do rótulo "sou aceito por todos". Mas seus olhos azuis, hoje meio acinzentados, escondem uma tristeza que poucos conseguem ver. Apenas quem o conhecia antes não o reconhece agora. Talvez seus olhos supliquem pela chance de um casamento feliz no futuro, em que não haja mentiras entre homem e mulher. Talvez seus olhos não compactuem com a mentira que tem sido sua vida ultimamente. A amargura é triste, caro aluno. Gostaria apenas de lembrar-lhe que a liberdade de ser é tudo.
Colher de Sopa:

3.4.05

 
Não, não fui ver Miss Simpatia 2. Acredito que o filme seja uma bobagem (como O Chamado 2, que tem um ator mirim pééééésssimo!). Mas já elegi minha Miss Simpatia: Grazi é uma graça e ressurge no esplendor de sua beleza no site Paparazzo, aliás, este todo reformulado, muito bacana. A miss é uma parada: bonita, gente fina, divertida, comilona etc. Estou fã. Grazi talvez nos lembre também que, afinal, mulher bonita gosta mesmo é de homem feio.

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O Clã das Adagas Voadoras: bonito filme de Zhang Yimou - com suas imagens algo impressionistas -, bonita homenagem a Kurosawa e à China. A despeito do excesso de reviravoltas, o filme emociona, além de ser um colírio para os olhos. Zhang Ziyi e seus parceiros de cena que o digam. Cada um mais belamente fotografado. Enquanto isso em Goiânia, nada de Herói. Capricho das distribuidoras, diria Bostov.

"
"Espera, que estão olhando..."
Colher de Sopa:

2.4.05

 
De Roger Michell (de Um Lugar Chamado Notting Hill), Recomeçar (The Mother, no original) é um filme interessante. E prova que os desejos sexuais e de uma vida menos óbvia não são elementos indiferentes aos velhos. Anne Reid é uma senhora que depois da morte do marido vai morar com os filhos. Lá, apaixona-se pelo namorado da filha, uns 30 anos mais moço. Entrada nos 60, a senhora vai descobrir um novo sentido para a vida. O roteiro é de Hanf Kureishi, autor de Minha Adorável Lavandeira. Mais uma vez, o escritor se debruça sobre personagens marginais em busca de dignidade.

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Pergunta tola: alguém consegue, realmente, escrever uma mensagem com aquele editor de textos idiota do celular? Para escrever Rodrigo, por exemplo, sempre saía a mensagem Srg... Uma beleza.

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Não acho que Daniela Cicarelli esperasse tão cedo por um bebê. Mas, de qualquer forma, ele segura bem o maridão.

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Como não poderia deixar de ser, as novelas de Glória Perez são uma bagunça só. Nos EUA, por exemplo, todo mundo fala fluentemente português. E quando tem que se mostrar uma americano falando, a câmera se distancia, os figurantes mexem a boca e algum ator brasileiro traduz a fala. Uma forma eficiente de calar a boca dos norte-americanos. Enquanto isso, Déborah Secco sussurra...

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Aguardem próximo número da revista CARA Vídeo. Quase um livro de ouro das religiões.

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Lembrei que a segunda Playboy que comprei foi a da Françoise Fourton. Diferentemente da primeira - com a Luciana Vandramini -, que picotei e queimei rapidamente, com medo de punição materna, escondi-a no alto da casa, numa espécie de abrigo para o encanamento (!?). Na última estada na terra natal, busquei meu pequeno delito, que não se encontrava mais lá. Se alguém achou Françoise, não me avisaram.
Colher de Sopa:

Pequenas epifanias

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