Creolina

     

31.8.05

 
Estar ocupado às vezes é uma máscara. Precisamos estar ou parecer ocupados para não receber visita indesejável. Para justificar a não presença naquela festa sacal do serviço. Para simplesmente não ter que fazer nada e poder assistir a um filme sossegado. Estar ocupado mascara também um pouco de nossa ineficiência. Escondo de trás do trabalho a pessoa preguiçosa que sou pra trabalhar. Como se dissesse: "olha, estou integrado, sim, ao capitalismo selvagem. Faço parte dele e trabalho, trabalho, trabalho...". Mentira. Às vezes estou apenas cortando as unhas do pé em minha casa cheia de poeira.
Mas, em alguns momentos, quando você vai ver... Você percebe que, sim, está trabalhando demais. E aquele filme na locadora... hmmm, não vai dar pra ver na quarta. E que você nem foi convidado pra festa do serviço. E que nem tempo tem para escutar as mensagens da secretária eletrônica. É quando você se lembra que tem contas pra pagar. Que sua TV a cabo foi cortada por causa do carro novo. É quando você se sente menos humano e mais um burro de carga. E se sente mais burro porque corrige redações onde se lê: "Ele não sabe lhe dar com isso (lidar)" ou "os jovens devem saber dos perigos das doenças maliciosas."

A verdade é que quando trabalho até quase enlouquecer, me entrego à esquitice de escrever bobagens como meus alunos.

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E como sobrou tempo na quarta...
A Vida e Morte de Peter Sellers é ótimo. O cara era louco, assim como seus personagens. Não gosto muito de atores que fazem personagens engraçadinhos demais. Tipo Jim Carrey, sabe? Verdade: nunca gostei de Dr. Fantástico, filme incensado de Stanley Kubrick, com Sellers. Mas o telefilme da HBO diverte em poucas horinhas. E ainda tem a estonteante Charlize Theron.

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Nunca me sobrou tempo ou foi o corte de cabelo? Mas a mulher do José Wilker tá bonita pra c... às 7.
Colher de Sopa:

28.8.05

 
I Seminário de Cinema e Educação da C.A.R.A. Vídeo. Sérgio Rizzo diante da reclamação de um espectador em sua palestra de que Dogville era muito longo: "Você devia ter levantado sua bunda da poltrona, então. Não venha com essa visão mercadológicva de que um filme tem que ter 2 horas de duração. Nada pode ser mudado no filme. Nada!" Sobre Dogma 95: "Uma maneira de colocar o insignificante cinema dinamarquês no mapa do cinema. Nem seus autores seguem mais este documento." Para uma sabichona que falou que Dogville fazia parte desse "movimento": "Estude antes de falar algumas coisas!" Por fim, sobre Guerra dos Mundos e 2 Filhos de Francisco: "Uma porcaria! Porcaria! Porcaria!"

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O que é o cabelo do ator Alexandre Barilari em Alma Gêmea? Foi xampu de laranja ou de milho?
Colher de Sopa:

25.8.05

 
Das sobrinhas da Dona Neuta à desfaçatez da falsa evangélica, não sobra nenhuma mocinha virginal em América. Todas são, à sua maneira, meio putinhas. Elas não poupam gays, homens casados, coroas, bobo da corte ou qualquer tipo masculino que tenha algo volumoso entre as pernas. Dona Glória Perez anda fazendo escola e lançando moda com suas moçoilas insaciáveis. Pense bem: ninguém ali é santa. Lourdinha é uma vagabundinha bem da gostosa, que não hesitou em roubar o marido da mãe da melhor amiga. Ele, também, é objeto de desejo da amante de longos 8 anos. Creuza dá em cima até do Carreirinha, que só sobrevive na trama graças ao seu intérprete, que tira leite de pedra. As Marias Breteiras nem se fala. Amealharam até nova candidata à putaria, aquela atriz mirim que acertadamente chamam de Chaveirinho. Raíssa desbunda em bailes funk; Kerry é uma anta cega que não percebe que o gay do pedaço está longe de querer dormir com ela. Simone tem pouquíssimo amor próprio e fica com um homem que, lógico, está "cagando e andando" pra ela. Inenzita quer saber de rosetar e dançar mal-e-mal naquele antro chamado boate. Sol tratou logo de chamar o Ed de seu. Por isso torço para que May lhe aplique uma boa surra em nome da moral e dos bons costumes. E quem era para ser a mais vulgar sai quase ilesa: Paula Bulamarqui interpreta um amor de personagem.

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Kinsey - Vamos Falar de Sexo não tem nada de chato. Tem até algumas cenas bem deliciosamente picantes (ui!). Dona de Casa vai adorar. Interessante bisbilhotar com ele, por detrás da fechadura, os hábitos sexuais americanos lá pelos 50. Eram anos e anos de muito falso moralismo e preconceito. Nem zíper escapava de maldições conservadoras!

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Quero avisar que com a viagem de Rody, morre o Creolina. Bobagem. Muitos já devem estar cansados do compromisso de aparecer aqui vez em quando. No mínimo, amizades foram travadas e/ou reforçadas. Tudo vale.. alguma coisa.
Colher de Sopa:

21.8.05

 
Bem que tentei, mas não consegui postar a foto de Jude Law nu. Sei que nem todos os meus leitores iriam gostar. Outros iriam se sentir desconfortáveis na cadeira, lançando olhares furtivos para o lado. Mas é que o "joãozinho" do ator tem suscitado discussões mundo afora. E nem é tão diminuto assim. Povo mais mal-humorado, gente!

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Tinha assistido há muito tempo e agora revi: THX 1138 do George Lucas continua chato. Mas mais atual do que nunca. A sátira a filmes de zumbi é fantástica em Todo Mundo Quase Morto. Mais um bom filme da Working Title. E o que não é 2 Filhos de Francisco, minha gente? Afora a trilha sonora, até que o filme funciona. A fotografia é bonita, as atuações são ótimas, o Brasil tem Dira Paes... E Zilu dá um upgrade estético representada por Paloma Duarte. Agora podem bater...

Mais manias:

Mania nº 4: Tentar assistir a todos os filmes. Até os ruins. De novo a sensação de incompletude, o medo de estar perdendo algo, de ficar pra trás. Um bom psicólogo atestaria que é medo do abandono. Eu diria que é burrice obsessiva mesmo.

Mania nº 5: Chegar a um bar sozinho: nunca, jamais. Tenho medo do que os outros vão pensar: "Coitado, veio sozinho, nem tem amigos com quem sair, deve ter levado um chute...". Se saio só, sempre ligo antes no celular pra ver se os amigos já estão lá. Nessa hora respiro aliviado. Não vou ficar trancado no carro.

Mania nº 6: Nunca deixar sapatos virados pra baixo. Fechar todas as portas de armário e tampas do vaso. Não é Feng Shui. São superstições de infância.


Colher de Sopa:

16.8.05

 
Água Negra é muito bom, embora demore a explicar a aparição fantasmagórica. Mas Walter Salles trabalha o drama muito bem e Jennifer Connelly é irrepreensivelmente linda e talentosa. Para não confundir o público, Salles bem que poderia ter colocado duas meninas diferentes entre si nos papéis de vítima e algoz. Às vezes é fácil confundir uma e outra. Não assisti ao original japonês. Mas quem iria reclamar de que as duas crianças são quase idênticas?!?

A idéia não é nova. Vi um blog que lista 73 obsessões. Tentarei relacionar algumas manias:

Mania nº 1: Medo de banheiros públicos. Não pelo fato de por vezes encontrá-lo sujo, mas com receio de que um desavisado se poste ao meu lado na hora de fazer xixi. Aí não sai nada. Sempre enfrento filas para o reservado, onde esteja. Ainda assim, se o silêncio for absoluto, de novo travo minha vontade. Já pensei em alternativas. Um banheiro cheio, mas silencioso, exige o uso de uma bisnaga cheia d¿água que fizesse as vezes de ¿ducto condutor da urina¿. Assim, ninguém estranharia a falta de som do outro lado da portinhola do reservado. Sairia pouco depois. Com a bexiga ainda cheia. O problema: enfiar uma bisnaga (ops!) na minha cueca. O ideal: mijar antes de sair de casa e não beber absolutamente nenhum líquido durante, por exemplo, a sessão de cinema. E torcer para mesmo assim não sentir vontade de fazer xixi até chegar em casa.




Mania nº 2: Roer unhas. É nojento, anti-higiênico e faz mal à saúde. Mas é mania de criança que veio para ficar. Mais fácil largar o cigarro, sabe? Quando escrevo contos, as personagens, invariavelmente femininas (hummm, sei...), são ansiosas e, por isso, gastam com os dentes suas unhas. Amadurecer para elas não significa abandonar velhos hábitos. Às vezes adultas, se apegam ainda mais à mania.




Mania nº 3: Nunca chegar atrasado ao cinema. Se o filme já começou, sinto uma imensa e desconfortável sensação de incompletude. Fico tentando imaginar o que já perdi, me distraio do que já está rolando na tela e lá se vão mais 15 minutos de filme. Invariavelmente saio mal-humorado da sessão.



Colher de Sopa:

13.8.05

 
Uma inversão matemática e Terra dos Mortos virou cult. É que agora os zumbis são maioria em relação aos humanos, diferentemente de outros filmes do gênero. Mas o novo terror de George Romero não se diferencia em nada de seus filhotes. Madrugada dos Mortos e Extermínio são até melhores. Terrra dos Mortos deixa gosto de mais do mesmo.

Robert Luketic é diretor que tem o timing da comédia. Legalmente Loira é uma delícia, assim como este A Sogra. A secretária de Jane Fonda (a desconhecida Wanda Sykes) é o melhor do filme. E Jennifer Lopez. Esta, no quesito beleza, claro.

A onda oitentista está em todo lugar. Interpol ou The Killers? Leitores que entendem de música, vale a pena comprar os CDs?


"Eu pelo menos fiz Barbarella, querida!"
Colher de Sopa:

11.8.05

 
Luana Piovani: "Amor de pica nem sempre fica, né, gente?"

E por falar nela, O Casamento de Romeu e Julieta é um desastre. Bruno Barreto não consegue fazer nada que preste mais. Li em algum lugar e compartilho da idéia: se o filme tivesse adotado um tom farsesco talvez até funcionasse. Mas se leva a sério demais.

Tenho novo colega de trabalho, o vocalista da banda Valentina. Rody já tinha me apresentado. Consta que é uma das bandas mais bacanas de Goiânia.
Colher de Sopa:

4.8.05

 
Cena 1

Mônica Waldvogel: "A Heloísa Helena tem um estilo meio despojado, assim, meio Luana Piovani."

Luana Piovani: "O quê!?! Daqui cinco vidas, né, meu amor? Ela é de uma época que não se toma banho. Para ela, cortar cabelo é caído, né?"

Luana começa a desfilar: "Aprende, Heloísa, aprende..."

Cena 2

Beth Lago (encolerizada): "Não sei como a Folha (de São Paulo) deu capa pra essa cafona! Quem ela acha que é vestindo Maria Bonita?" (sobre Fernanda Karina Somaggio)

Não se sabe quem foi mais deselegante.
Colher de Sopa:

Pequenas epifanias

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