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15.12.06

Não sei porque, mas não é possível, em minha máquina, ler os comentários por ventura deixados aqui. Deve ser algum problema do provedor. Ou manha do blog, que, não demora, me lembra que não tem muito sentido de existir. De qualquer forma, não há muito mesmo o que dizer. Estou apavorado com o ressurgimento do Netinho da Bahia. Ele me parece mil anos mais velho ou será impressão?

18:20.: Colher de Sopa:


1.12.06

O Labirinto do Fauno é um exemplo muito bem acabado da presença do fantástico no cinema de Guillermo Del Toro (do também excelente A Espinha do Diabo). Se no filme anterior ficávamos em dúvida sobre a existência de fantasmas que visitavam um pobre órfão, neste "talvez" duvidemos do que vêem nossos olhos: um fauno, fadas, um labirinto e paredes móveis... presença inconteste do fantástico. E o que seria o fantástico se não a dúvida entre o natural e o sobrenatural para explicar certas situações inusitadas (o que me faz lembrar do conto Emanuel, da querida Lygia Fagundes Telles)? É o que acontece na história possível de uma garota, Ofélia, que refugia-se com a mãe grávida numa espécie de posto militar no meio de uma floresta, onde seu padastro, um capitão do exército (o agora magro Sergi López), comete as maiores atrocidades na intenção de refugar as últimas milícias republicanas antes da imposição do franquismo.
Talvez para fugir da monstruosidade do padastro, para mascarar a doença da mãe e sua submissão ao novo marido e para se afastar mesmo das agruras da guerra é que a pequena Ofélia se refugia num mundo de fantasias onde, cumpridas três obrigações, ela pode encontrar a solução para seus problemas. Nesse momento é que o insólito percorre sua existência sofrida, a fantasia como fuga de uma realidade cruel. E percorrendo esse caminho com a menina, sabemos que se o conflito armado realmente existiu, acontecia o mesmo com suas experiências? Seria um sonho, EQM, insanidade, verdade? Ao tentar nos equilibrar nessa corda bamba de possibilidades, talvez nunca encontremos respostas exatas, pois cada um poderá ter a sua. A verdade é que Del Toro, mais uma vez, constrói um filme instigante e reflexivo, e ainda mais rico com suas referências a Alice no País das Maravilhas.


"Essas unhas postiças custaram os olhos da cara!"

17:17.: Colher de Sopa: